De fanfics à realidade, conheça os nomes por trás de webséries de sucesso: Priscilla Pugliese e Rodrigo Tardelli

Antes mesmo da pandemia tornar o streaming e/ou online um sucesso para o novo entretenimento, os atores e sócios Priscilla Pugliese e Rodrigo Tardelli já trilhavam o sucesso com webséries baseadas em fanfics e alcançavam números expressivos em países latinos e de língua inglesa como: México, Argentina, Estados Unidos, Canadá, Chile, entre outros.

As obras da Ponto Ação Produções, são baseadas em histórias criadas por fãs de artistas teens, como Fifth Harmony e One Direction, e em muitas delas o romance LGBTQIA+ ganha destaque. Pensando neste mercado de oportunidades, entrevistamos a dupla, confira:

Soda Pop: Como surgiu a ideia de transformar as fanfics em webserie?
Priscilla Pugliese: Eu tinha acabado de fazer meu curso e eu não queria depender de testes ou emissoras, então minha primeira série foi escrita originalmente. Nesse período que estávamos fazendo essa websérie de nossa autoria, com nosso roteiro, uma amiga me apresentou as fanfics. Eu achei genial!

Rodrigo Tardelli: A Priscilla já consumia e estava por dentro desse universo de fanfics e ela me apresentou, dizendo que eram histórias que faziam muito sucesso na internet e nos aplicativos de leitura. E, em seguida, perguntou o que eu achava de transformar essas histórias em curtas-metragens. Comecei a organizar tudo, criei a conta e o nome da produtora, as redes sociais e começamos a movimentar. Pedimos sugestões de quais fanfics eles [fãs] gostariam que virassem o curta e muita gente pedia “Between Two Lines” (Entre Duas Linhas). Fomos atrás da autora, para que ela autorizasse o uso da história e nos encontrávamos todos os dias online para adaptar a fanfic em roteiro audiovisual e colocá-la dentro da nossa realidade, dos nossos recursos.

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SP: As webséries da Ponto Ação Produções são famosas pelas fanfics juvenis. Vocês fariam alguma websérie com personagens mais velhos? Quais?
Rodrigo: Sim, não estamos presos a nada, estamos querendo cada vez mais investir em produtos diferentes e alcançar públicos diferentes. Acho que todas as opções são válidas e estamos abertos a todas as propostas. Até mesmo em “Dark Paradise”, nosso novo projeto, nós teremos um elenco mais velho.

Priscilla: Existe uma fanfic que eu tenho uma imensa vontade de fazer, que se chama “Stupid Wife”. Ela também retrata a vida da Camila e da Lauren [cantoras do ex-Fifth Harmony] como um casal, mas nessa história elas têm um filho e são um pouco mais velhas. Eu quero muito fazer.

SP: Existe alguma fanfic brasileira que renderia uma boa webserie?
Rodrigo: Dark Paradise (risos). Eu, particularmente, não leio muitas fanfics, conheço algumas. Mas, por exemplo, “Dark Paradise” é uma fanfic que me interessa muito pelo suspense e essa pegada de serial killer, que é algo que eu sempre gostei de consumir em séries, filmes e sempre acompanhei. Tenho essa fanfic em mente desde 2017, quando começamos. “Dark Paradise” é realmente meu sonho para produzir.

Priscilla: Todas que fizemos até agora são fanfics brasileiras que renderam boas webséries. Mas fora essas, “Stupid Wife” é uma fanfic brasileira que tenho muita vontade de fazer, porque é uma história muito bonita e com temas como amor verdadeiro, alma gêmea, se existe ou não, se podemos nos apaixonar todos os dias pela mesma pessoa.

SP: Quais são as suas referências para escolha de tema, personagens e caracterização de personagens? Tem algum filme, série ou novela que influenciaram vocês? Qual (is)?
Priscilla: É muito relativo! Por exemplo, os temas das webséries, são de acordo com o que queremos fazer no momento. Já trouxemos uma temática mais romântica e melodramática, e nesse próximo projeto, vamos fazer um suspense. Agora, os personagens e suas caracterizações vem de acordo com as fanfics e com como os personagens já são na história, em conjunto também com a equipe de visagismo e figurino.

Rodrigo: Para Dark Paradise, “Dupla Identidade” é uma série brasileira da Globo, com o Bruno Gagliasso, que eu amava e que tem a pegada do nosso próximo projeto. Tudo o que surge de serial killer e com essa pegada de investigações e suspense me interessa muito e me faz querer atuar, a produzir e poder fazer isso agora será uma realização imensa na minha carreira.

SP: Fariam um crossover entre as webséries em que os personagens baseados nos meninos do One Direction se encontram com as meninas do Fifth Harmony?
Priscilla: Nós até chegamos a fazer algo parecido, mas não com as webséries em si. Eu e a Natalie, como nós mesmas, participamos de uma cena em “Até Você Me Esquecer”. É muito complicado fazer um crossover das nossas séries, porque o Rodrigo está em quase todas como personagens diferentes, seria muito difícil fazer esse encontro hahaha. Mas a ideia é muito legal, se não fôssemos sempre nós três no elenco. Por exemplo, agora que temos Pop Star no canal da Ponto Ação, poderíamos trazer alguns dos personagens para outra websérie nossa, talvez possa ser interessante!

Rodrigo: Seria incrível fazer esse crossover e juntar “A Melhor Amiga da Noiva” com “Até Você Me Esquecer”, ou até mesmo fazer uma nova fanfic, onde duas histórias se cruzam. Acho que seria um sucesso juntar esses dois universos e o público amaria a ideia! Não sei se existe já essa fanfic com os dois grupos, mas se tivesse ou se criássemos, seria uma ideia incrível para o futuro.

SP: Quais são as praticidades e dificuldades em se trabalhar com amigos, já que vocês são donos, produtores e atores da Ponto Ação?
Rodrigo: Tem que ter muito foco para não deixar essas duas relações se fundirem, porque são coisas diferentes. É preciso ter muito equilíbrio e muita harmonia para que questões pessoais não influenciem no nosso trabalho e vice-versa.

Priscilla: Nós tentamos muito separar o pessoal do profissional. Quando temos algum problema que precisamos discutir, alguma ideia que talvez seja melhor que a outra, nós conseguimos ceder, o que torna bem tranquilo.

SP: Vocês recentemente receberam indicações à prêmios, como lidam com esta notoriedade que as webséries trouxeram para o trabalho de vocês?
Rodrigo: É incrível! Nosso estouro veio com o reconhecimento do público, mas não tínhamos esse reconhecimento do meio, de premiações e de pessoas que trabalham com audiovisual. E, desde 2018, passamos a ter esse reconhecimento específico. Quando começaram a surgir essas indicações, mesmo em categorias menores de iniciantes, foi muito bom, porque começou a unir o público e o reconhecimento do meio que trabalhamos.

Priscilla: É surreal! Parece que a ficha não cai. Às vezes parece que estamos vivendo um sonho. Mas sabemos que é muito importante essa visibilidade para com a mídia, para ganharmos reconhecimento no meio e termos referências trabalhando com a gente.

Natalie Smith, Rodrigo Tardelli e Priscilla Pugliese no Rio Web Fest (Reprodução)

SP: O isolamento social ajudou na concepção de criações de novos materiais para webséries? Como está sendo este período de quarentena?
Rodrigo: Nós estamos trabalhando total home office, criando tudo o que podemos pelo computador, celular e à distância. Gravar, infelizmente, não conseguiríamos, por causa da quarentena. A não ser que até o final do ano, a situação não tenha normalizado, então teremos que dar um jeito de gravar sozinhos em casa, talvez fazer um projeto diferente para isso.

Priscilla: Na verdade, não estamos criando webséries para o Ponto Ação, estamos fazendo um remember de momentos das histórias dos casais. Paralelo a isso, estamos trabalhando na pré-produção de “Dark Paradise”.

Ambos os artistas estão com projetos solos em seus perfis no Instagram, realizando lives e criando projetos autorais para este momento de isolamento.

SP: As webséries se popularizaram nesta quarentena e dominaram o Instagram, vocês tem algum desejo de trabalhar com outros atores, quais?
Priscilla: Não existem atores específicos com quem eu queria trabalhar. Claro que existe o sonho de atuar com grande nomes como Meryl Streep, Emma Watson, Viola Davis, Giovanna Antoneli, etc. Mas, nesse momento, eu quero trabalhar com atores que nunca trabalhei antes, quero ter novas experiências, dar oportunidade para quem está começando, pessoas que estão no lugar que eu já estive, de estar saindo da faculdade sem saber o que fazer.

Rodrigo: Estamos sempre em contato com outras pessoas que produzem também. Os próprios festivais nos deixam em contato e permitindo que a gente conheça o trabalho do outro. E, com certeza queremos trabalhar com outros atores! Em todo projeto nós tentamos renovar o elenco e trazer caras novas, até porque achamos muito importante dar uma oportunidade para que o público conheça outras pessoas.

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SP: Dark Paradise é o novo projeto da produtora, e uma websérie de terror. Quais são as novidades que vocês já podem nos adiantar?
Rodrigo: Será um projeto completamente diferente de tudo o que já produzimos, então pode causar um estranhamento no começo, por ser um gênero e um universo diferentes. O roteiro é bastante intenso e com uma pegada bem americana. É um roteiro que instiga e que prende o público de um episódio para o outro, algo que já fazemos e que é muito importante.

Priscilla: Na verdade, “Dark Paradise” é um suspense/drama. O que podemos falar é que teremos mesmo bastante suspense, que iremos nos arriscar nesse gênero, porque nunca fizemos algo assim antes. Minha ideia, é termos diferentes jogos de câmera para que o público se sinta dentro da série. O que posso adiantar e devo, é que a série é completamente ficcional, que as pessoas não façam o que elas assistirem, na realidade.

SP: Além do suspense e temáticas LGTBQIA+, qual (is) outros gêneros gostariam de trabalhar?
Rodrigo: Eu gostaria de trabalhar com comédia. Acho que eu tenho um tom de comédia, mas na minha vida pessoal e eu não sei como seria para trabalhar, pode ser que me daria um bloqueio. Gostaria de fazer um personagem realmente cômico, como em “Minha Mãe É Uma Peça”. Comédia seria um desafio, acho que seria algo que eu quero me aventurar.

Priscilla: Acho que suspense é mesmo algo que eu queria muito fazer. Mas meu sonho é que um dia LGBTQIA+ não seja uma temática, como uma série hétero que não tem a necessidade de ser classificada como uma. É experimentar diferentes tópicos, quem sabe um dia fazer uma comédia ou ação, mas agora estamos focados nesse novo gênero no qual estamos nos aventurando.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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