#Entrevista: 10 perguntas para Ivan Parente

Artista, ator, cantor, dublador e Ivan Parente. Com quase 20 anos de experiência na área artística, Ivan Parente encarou as 10 perguntas do Soda Pop, sobre carreira, novos desafios e sobre como é a magia do teatro, confira:

Soda Pop: 1 – Ivan, você está prestes a completar 20 anos de carreira com musicais, qual o balanço você faz destes anos de trabalho com a arte? E o que ainda falta o artista Ivan Parente conquistar?
Ivan Parente: Vish são 23 anos na verdade. Primeiro profissional foi em 1996, o ‘Pocket Broadway’. Loucura! Acho que o teatro musical profissional teve participação importante para trazer de volta aos teatros, um público que só assistia musicais fora do país e também deu oportunidade a muita gente que nunca poderia ver uma peça da Broadway.

Essa é só a ponta do Iceberg. Formou-se profissionais de palco, de luz, de som, de backstage e principalmente uma disciplina, que tivemos que colocar em nossa rotina, para dar conta de 6 ou 7 espetáculos por semana. Uma rotina insana e deliciosa. Acho que o Ivan Parente ainda tem muita coisa para aprender, antes de conquistar. Vejo que a cada trabalho me desafia. Nunca faço nada que esteja totalmente na minha zona de conforto. Sempre tento sair pela tangente e tratar de estudar algo novo. Estes dias me veio a vontade de fazer cinema ou séries de TV, mas também me bateu uma vontade louca de fazer um show. Tô pensando.

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SP: 2 – Você, que recentemente foi agraciado em diversas premiações, como vê a importância de um prêmio de teatro hoje, com a atual situação cultural do nosso país?
IP: Ser premiado é uma delícia. A gente se sente o máximo, se sente reconhecido, se sente acarinhado pelo “metiê” e no dia seguinte tem que começar tudo de novo (risos). Ou seja é uma batalha que a gente tem que lutar sozinho e todos os dias para tentar ser ouvido, visto e reconhecido. Sinto que os prêmios que eu recebi me deram oportunidade de fazer trabalhos que eu nunca imaginei que faria. Novela, por exemplo, foi uma dessas surpresas. Acho que o prêmio te coloca na mira de produtores e isso facilita, mas creio que o mais importante é que a cultura não vire “vilã” nacional por causa de alguns pilantras que usaram de leis ilicitamente ou embolsaram dinheiro. Se as empresas e os produtores recuarem, vamos ter menos chances de mostrar histórias incríveis ou personagens lindos que podem intervir e mudar a vida de uma pessoa pra sempre. Acredito que a arte, o lúdico e a capacidade de sonhar, ainda são capazes de formar pessoas melhores. Seres humanos melhores. 

SP: 3 – Sua identificação com o público infanto-juvenil cresceu vertiginosamente, devido ao seu trabalho em “As Aventuras de Poliana”, “O Rei Leão”, “O Mágico Di Ó” e em “Madagascar”, qual a sua relação com este público que está em formação social e cultural?
IP: Estar em contato com esse público e poder contar historias desse nível é privilégio total. Aguçar nessa criança ou nesse adolescente a vontade de ouvir, ver e de repente criar suas próprias histórias. Esse público é muito mais difícil de enganar. Então acho que o sucesso de ‘Poliana’ vem dessa forma verdadeira de abordar essa criança ou esse jovem, sem ser explícito. Uma criança não precisa ver outra criança ser castigada para saber que ela vai receber castigo. Assim como o adolescente não precisa ver um adolescente se matando, para saber que é péssimo fazer bullying. Acho que ganhamos os pais assim também. Violência sempre gera violência e sabemos que ela existe. Eu converso muito bem com esse público. Faço brincadeira na rua quando me abordam e nas minhas redes sociais sempre tento falar sobre temas que realmente importam.

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Temas que façam esse público ter opinião, argumentar e respeitar as opiniões e pessoas que são diferentes deles. Porque somos todos diferentes e no final das contas o que a gente realmente quer é que tudo fique bem. E eu me lembro, porque também já fui jovem, que a minha criança ou o meu jovem queria ter ‘voz’ e ser entendido muito cedo. Só que naquela época não tinha internet. Hoje fica veloz a opinião de todos ao mesmo tempo e no mesmo post. E as vezes dá briga. Por isso é importante saber o que comunicar e como comunicar, em tempo de fake news e pessoas que gostam de opinar sobre tudo, sem embasamento.

SP: 4 – As Aventuras de Poliana, acabou de ser renovada, um sucesso que já está há quase 2 anos no ar, o que podemos esperar do seu personagem?
IV: Sim. A novela foi renovada, mas ainda não sabemos sobre o rumo das personagens e nem quais personagens seguirão na trama. Mas eu boto fé no ‘Lindomar’, pois ele é cheio de camadas e cheio de surpresas. Esse Bedel já passou por tantas fases que eu nunca imaginei… A Íris Abravanel e todos os colaboradores são muito bons e eles sempre fazem mágica.  

Ivan Parente (Foto: Osmar Lucas)

SP: 5 – Em Madagascar, você vive o personagem Melman, como está sendo a manipulação do adereço e a relação com o figurino e as limitações de movimentos?
IP: Sim. Melman a girafa hipocondríaca. Tive que me preparar bastante para essa personagem. O figurino pesa uns 15 kilos ou mais, além de eu precisar de uma cinta que protege minha lombar. Tenho exercícios diários que preciso cumprir para fortalecer toda a minha musculatura e entregar todos os movimentos do pescoço e do corpo dessa girafa. O trabalho com a Inês Aranha, em conjunto com o do nosso diretor Marllos Silva, me proporcionou bastante segurança para realizar o espetáculo. A sorte é que os movimentos da girafa são sempre mais lentos, o que facilita em cena, mas ainda assim é um espetáculo pesado para mim. O figurino foi muito ajustado durante os ensaios pelo nosso figurinista Fause Haten e o Jesus Seda, com a angulação da cabeça, segurança da roupa e melhor movimento da boca. Foi um desafio. 

SP: 6 – Além de dublar, atuar e cantar, você também estreou com a direção do musical infantil “O Mágico Di Ó”, como foi esta experiência atrás dos palcos?
IP: Foi uma sensação bem louca. Como dirigir o espetáculo sem esperar que o ator tenha a mesma ideia que eu teria como ator. Um exercício viu? Eu sou um ator que se coreografa. Sempre soube que cada um usa a técnica que lhe cai melhor, mas como diretor eu precisei começar a encontrar um modo do ator entender o que eu queria, sem que ele reproduzisse o que eu imaginei que ele teria que fazer. Ficou confuso? É isso mesmo (risos)! Um bom diretor cria as imagens e o ator se coloca nessa imagem e daí a mágica acontece. Utilizei bastante do processo do Miguel Falabella, de dirigir com imagens. Ele sempre pintava um cenário pra gente e sempre funcionou. Funcionou com os meus ‘cabinhas’ e com a equipe linda e amorosa que foi formada nesse espetáculo. Eu não teria tido tanto êxito se não fosse Daniela Stirbulov que dirigiu junto e me aguentou em todas as minhas crises.

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Foi um projeto criativo colaborativo, onde todas as ideias e opiniões foram levadas em conta. Começa com o texto primoroso e sensível do Vitor Rocha. Da nossa produtora “guerreira” Claudia Miranda maravilhosa. Juliana Porto e Silvia Ferraz que fizeram os figurinos, os cenários e os adereços. Da Direção Musical potente do Marco França com ajuda do Elton Towersey e do Diego Rodda. Das fotos e do material de divulgação criativo e sensacional do Victor Miranda. Da luz de Fran Barros e Marina Gatti que deu contorno à nossa história. Do visagismo de Edgar Cardoso. Do apoio na produção e no teatro do Bruno Orpinelli, Carol Arouca e Mikael Marmorato. Fora o talento do elenco: Luiza Porto, Vitor Rocha, Diego Rodda, Renata Versolato, Elton Towersey, Lui Vizotto, Thiago Sak e Renan Rezende. 

SP: 7 – Sua primeira direção musical de teatro, vai virar filme, como foi recebida esta notícia e como está sendo este processo?
IP: A notícia veio no penúltimo final de semana da nossa primeira temporada em São Paulo. O Pedro Vasconcelos, ator e diretor sensacional, assistiu nosso ‘Mágico’ e chamou todo mundo para uma conversa. Disse que tinha se emocionado nos primeiros minutos da peça e que queria filmar o espetáculo de qualquer maneira. Ele entendeu que o que ele estava vendo era um trabalho colaborativo. Que a gente tinha investido nosso dinheiro, tempo e o melhor de nós naquele projeto. Ele queria fazer a mesma coisa. Tirou dinheiro do próprio bolso, levou a equipe da sua produtora, a Boa Ideia Entretenimento, e quem conseguiu conciliar suas agendas, pro interior de João Pessoa, num cenário surreal de lindo e tá filmando com o seu coração. Exatamente como fizemos aqui. Todos ainda estão em estado de choque em como esse espetáculo tem tocado as pessoas. 

SP: 8 – Quais são suas expectativas para o filme e o que você acredita que a sua direção influenciou ou contribuiu para a adaptação para os cinemas?
IP: A expectativa é a de uma criança sendo levada para o parquinho. Sabe que vai ser gostoso, mas tem medo (risos). Confio 100% no olhar experiente do Pedro e acredito que ele vai potencializar o que conseguimos durante a temporada no Teatro João Caetano. Em nossas conversas ficou claro que ele queria filmar o espetáculo como ele viu. Amou a estética, concepção e direção que eu, Daniela Stirbulov e Marco França conseguimos alcançar com os atores. Acho que nos concentrarmos no texto do Vitor Rocha, transformar e ressignificar de forma lúdica todos os objetos e todas as personagens ajudou nessa catarse do Pedro em relação ao espetáculo. De qualquer forma, acredito também que surgirão novos elementos quando as filmagens forem acontecendo. A arte não é uma obra fechada.

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SP: 9 – O processo de dublagem não é novidade para você, mas qual foi o maior desafio encontrado em “O Rei Leão”?
IP: Acho que o maior desafio era dublar uma personagem que já estava enraizada na cabeça do público. A primeira dublagem, do saudoso Pedro de Saint-Germain, é sensacional e a gente sabe como o público e principalmente os fãs do original são exigentes. Eu não queria copiar, mas também precisava seguir a dublagem do Billy Eichner que estava incrível. Consegui mesclar e acho que o resultado agradou o público. Foi divertido e emocionante!

SP: 10 – O que você diria para o Ivan Parente do começo de carreira? Deixaria algum conselho?  
IP: Eu diria: Ivan, não acredite quando alguém te disser que você não é capaz. Ria na cara dessa pessoa e retruque com um bom “espera pra ver” (risos) .

Meu conselho: Seja humilde. Diga Bom dia. Boa Tarde. Boa Noite. Por favor, desculpe e peça licença. Isso abrirá muitas portas na vida.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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