#Entrevista: Lucy Alves relembra época de carnaval

*Por Luca Moreira

Nascida na cidade de João Pessoa, Lucy Alves é uma das grandes representantes da música erudita no Brasil. Teve seu primeiro contato musical ainda criança quando tocava violão ao com sua família. Integrou diversas orquestras importantes na Paraíba, teve seu próprio solo na Orquestra Sinfônica da Paraíba e do Recife. Estudou musical com ênfase em violino no Conservatório Musical da UFPB. Passou por reality show, novela e teatro.

Soda Pop: Como foi o seu começo no meio artístico? 
Lucy Alves: Comecei muito jovem porque a minha família sempre teve muitos músicos, cresci em um ambiente que a música era algo muito recorrente. Misturávamos brinquedos, instrumentos…então sempre fomos muito incentivados.

Quando a gente começou, meus pais me incentivaram, colocaram para estudar música, participei de orquestra na Paraíba. A música realmente fez parte da minha formação de um jeito muito direto. A gente fez um grupo em família, onde eu realmente passei a transitar no meio artístico, conhecer outros artistas, tocar e andar pelos palcos. Então tudo começou de uma forma familiar e ainda muito jovem.

SP: Quando era pequena, ingressou no projeto musical “Formiguinhas”, além de ter sido violinista na Orquestra Infantil da Paraíba. Guarda lembranças da época? 
LA: O projeto Formiguinhas, foi um projeto muito especial na minha vida. Comandado pela Norma, uma mulher da qual eu tenho uma lembrança muito viva na minha cabeça, muito forte que infelizmente faleceu. Eu a considerava minha mãe musical, porque com ela me deu muitas coisas, disciplina em ambiente de orquestra, se comportar entre os nipes, o violino, como está ali em um grande grupo.

Era uma mulher que tinha conhecimento, sabedoria e um pulso muito firme, foi uma das minhas primeiras grandes referências de mulher depois da minha mãe, porque eu convivi muito tempo com ela e aprendi muito. Ela foi realmente parte da minha formação musical, aprendi a ler partitura e tive meu primeiro contato com instrumento.

Dona Norma era essa figura implacável, muito firme, brava que só ela, e cobrava bastante. Era muito disciplinada e gostava que as pessoas fossem disciplinadas também. Então tenho uma memória muito bacana porque junto da orquestra e de Dona Norma, eu viajei, eu aprendi. Chegamos a ir para Disney juntas, imagina um grupo cheio de crianças, todo mundo tocando e se divertindo. Então tenho ótimas lembranças da construção mesmo, é muito importante, o alicerce, o chão dessa casa que continua sendo construída.

SP: Conte-nos um pouco de sua experiência com o grupo nordestino “Clã Brasil”? 
LA: Brasil é meu xodó, minha paixão, e me deu régua e compasso para cantar nos palcos. Minha primeira experiência como líder de um grupo, lembro quando pequena e parada lá na frente, morrendo de vergonha e de encarrar aquela plateia, porque eu já me apresentava ao lado de orquestras, mais liderar um grupo e ser a porta-voz, como eu era foi muito desafiador e eu aprendi muito ali.

Conhecemos muitos músicos, tive oportunidade de me apresentar constantemente, e isso foi me enriquecendo. Fui ganhando corpo como instrumentista e como interprete, o que mais tarde me ajudaria muito na história da atriz, porque eu sempre fiquei no palco, e a gente em algum momento atua também. Então o Clã Brasil, eu considero o meu grande estrelo assim realmente, um grupo que pesquisava bastante a música nordestina, fazíamos muitos mergulhos, nos reuníamos para escutar música, cantar e tocar. Muita sorte minha ter o Clã Brasil como escola.

SP: Se lançando em carreira solo após assinar com a Universal Music, sente vontade de se unir a uma outra banda futuramente? 
LA: Logo depois do The Voice, eu me lancei em carreira solo, assinei com a Universal, e logo em seguida assinei com a Warner Music, minhas primeiras gravadoras, e hoje ainda eu sou artista da Warner, e estou seguindo com minha carreira solo, tem alguns trabalhos que estão para serem lançados, coisas inéditas, inclusive meu novo álbum, e eu tenho minha banda que já me acompanha, então minha pretensão é seguir na carreira solo com esse grupo que já está lá me ladeando.

SP: Como definiria o seu estilo musical e quais são suas influências na música? 
LA: Sou uma artista muito plural, venho de uma escola nordestina muito forte, então eu canto um pouco de  forró, xote de maracatu, e tudo isso de uma forma muito peculiar, com batidas muito diferenciadas, tudo isso mesclado com o que ando escutando por ai no mundo inteiro, tenho tantas influencias, considero uma música pop brasileira, sou uma instrumentista, compositora, cantora, tenho uma cara muito única, tenho um DNA muito único, então desde Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Alcione, Madonna, Michael Jackson, Daft Punk, Rihanna, Beyonce, Alicia Keys, Lady Gaga, Richard Bona.. Tantas influencias que eu termino carregando comigo. Às vezes é difícil se colocar em uma prateleira, porque eu sou uma artista muito facetada, muito plural, mais me considero uma artista pop brasileira.

SP: Como foi ser coroada a Imperatriz Leopoldinense no carnaval de 2016? 
LA: Eu consigo chegar no Rio de Janeiro, por causa do trabalho em novela que eu fiz, o “Velho Chico” que foi muito importante para minha carreira como atriz, meu primeiro trabalho na novela, e ainda eu conheci Zé Katimba, um outro paraibano que chegou ainda muito menino no Rio de Janeiro, e se criou por ser tão guerreiro, perdeu a família muito jovem, passou por todas as alas da escola, foi puxador de corda, até ser compositor, um dos fundadores mesmo da escola. Ele me acolheu, me levou na quadra, e terminei como puxadora da Imperatriz Leopoldinense, na avenida de salto e sorriso no rosto, uma mulher puxando samba com sanfona, lembro até hoje o comentário do Pretinho da Serrinha: “meu deus olha esse fraseado que ela está fazendo, parece um violão de sete cordas“. Obviamente influência do meu pai, que era violonista de sete cordas, mais foi assim um momento de paz na minha vida, um momento muito especial, vê aquela avenida cheia cantando, sorrindo, gritando, botando tanta emoção para fora, e a gente cantando, um país tão lindo, o tema muito bonito. Nesse ano a gente homenageou a história de Zezé de Camargo e Luciano, que são duas pessoas que vem do interior do Brasil, desse Brasil profundo, dessa raiz que se cruza em muitas coisas com a minha raiz. Foi muito legal, por isso que eu falo que sou muito eclética, meu deus “Lucy na avenida”, estava lá.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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