#Filme: Tron e a criação dos (bons) filmes sobre videogames

Apesar da crença popular dizer o contrário, videogames já não são coisa de criança desde o seu princípio. E o mesmo vale para as adaptações da mídia virtual para além dos consoles conectados às nossas TVs, ocupando o espaço antes dedicado tão somente para se acompanhar novelas e telejornais diários de alguns poucos canais abertos no país.

Um dos que abriram as portas para tal foi o clássico do começo da década de 1980, o filme Tron. A temática era futurista e completamente inspirada no mundo de arcades. Na trama, o desenvolvedor de jogos de fliperama Kevin Flynn é “sugado” para dentro do mundo das suas criações. E para sair dele, será necessário que ele se prove bom o bastante para superar os desafios impostos em seu caminho.

O filme foi apenas lançado em 1982, mas ele estava em desenvolvimento desde 1976 quando seu roteirista e diretor, Steven Lisberger, se tornou obcecado pelo conceito de Pong. Jogo esse que simula um jogo de ping-pong, com uma bola atravessando uma metade a outra de uma mesa virtual, e duas raquetes fazendo o que podem para rebate-la, e fazer com que o adversário não consiga devolve-la.

Tron – 1982 (Reprodução)

Tron acabou por revolucionar não só o conceito de adaptações de mídias ao cinema, contando com seu pioneirismo em trazer o mundo de videogames para as telas de cinema. Sua apresentação visual, levando em consideração o que se considerava na década de 1980 o que era o mundo cibernético, ainda tem resquícios até hoje. É só olhar para a temática vaporwave, que é completamente inspirada pelo o que Tron apresentava há 37 anos atrás.

Desde então, os jogos foram tomando novas formas de reprodução e adaptação. Os fliperamas deram espaço aos consoles e aos jogos na internet, como os MMORPG e os do cassino online da Betfair, este último que inclui em sua coleção jogos com temática semelhante à de Tron como Space Digger. Inúmeros filmes trazendo videogames como temática continuaram a emergir, assim como seriados, histórias em quadrinhos, e até séries de livros.

E também tivemos o efeito contrário. Percebeu-se que não era uma má ideia trazer para os videogames as obras que já haviam se tornado tradicionais perante à novidade que tal mundo trazia. E assim uma série de adaptações de filmes, séries e histórias em quadrinhos, variando bastante em qualidade, começaram a aparecer na casa de milhões de pessoas inicialmente no formato de cartucho; depois em disco e finalmente, em arquivo disponível para download na internet.

Além disso, tivemos a volta de Tron com a sua continuação em Tron: O Legado. 28 anos após o lançamento da primeira obra, a Disney vê a oportunidade de trazer de volta à tona um filme que havia gerado em seu entorno um status de cult em vários círculos – incluindo o que criou o vaporwave anteriormente mencionado. Nessa nova história, o filho do protagonista do primeiro filme, Sam, é transportado para um mundo virtual da mesma maneira que seu pai. Mas a missão dessa vez é impedir que um grande mal invada o espaço real.

Ainda que a continuação de Tron não tenha conseguido atingir sucesso de crítica e de público semelhantes à obra original, seu efeito foi semelhante. De certa forma, foi o sopro de uma obra inspirada não em um videogame, mas sim nos videogames – algo bem raro de se ver neste mundo repleto de adaptações a adaptações. Talvez no futuro, uma nova obra da franquia traga de uma vez o sopro necessário para que essa temática seja explorada de maneira digna nos cinemas.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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