Junin lança projeto solo e autoral, fruto de experimentos da quarentena

Com pouco mais de um mês de carreira solo, Junin, baterista da banda Lupa, lança EP com quatro canções inéditas, participa de festival virtual e ainda promete um álbum para 2021. Quer saber mais? Confira a entrevista com a revelação do pop nacional.

Soda Pop: Qual é a experiência de fazer parte de uma banda, onde se trabalha no coletivo e agora lançar um material solo?
Junin: Vou ter que te revelar isso um pouquinho mais lá na frente, porque eu só tenho um mês de carreira solo (risos). Ainda está sendo uma loucura na minha cabeça. Eu realmente não sei como será tudo isso. A Lupa é minha paixão, foi onde eu me criei, é meu sonho, são meus irmãos. E o projeto solo, é algo que é tão eu, então os dois tem uma importância tão grande na minha vida, e até então, os dois tem se ajudado muito, tanto os meninos tem me ajudado no projeto quanto todos os fãs da Lupa tem me apoiado.

Toda a experiência que eu conquistei na banda está me ajudando agora, eu espero que chegue um momento em que o ‘Junin’ ajude a Lupa – meu sonho é que ambas estejam sempre se ajudando e que eu tenha esta “dupla personalidade” – como baterista da Lupa e como cantor solo.

SP: Como ambas experiências podem contribuir nos trabalhos futuros?
Junin: Para minha carreira solo, toda experiência que eu tive com a Lupa, tanto musical, de criação, estúdio, show, tudo isso foi fator mais do que necessário, para eu conseguir chegar aonde estou [como Junin].

Quando lançamos a Lupa, nós não tínhamos a menor noção do que fazer e agora com o lançamento [solo], eu sabia exatamente o que eu deveria fazer. Então tudo isso somou bastante, tanto que no EP tem música com bateria que eu mesmo gravei. Já para a Lupa, principalmente será na parte de composição [de músicas], até hoje todas elas são do Múcio [Botelho], ele escreve e terminamos finalizando a música com ele, principalmente eu, na parte da produção. Porém eu nunca tinha escrito uma música com ele, e isso já aconteceu, nos últimos dias. Isso vai agregar muito no projeto da Lupa.

SP: Já que estamos no período de pandemia, o que impossibilita a realização de shows físicos e presenciais, você já pensou em realizar alguma live ou apresentações virtuais com os materiais inéditos da carreira solo e com mistura de repertórios da Lupa ou de outros artistas que você se inspira?
Junin: Eu não tinha pensado nisso para esse ano, não era ideia minha lançar algum material de live ou algo do tipo, mas, na última semana fui convidado do nada, para um festival aqui de Brasília, que eu sou apaixonado e que eu sempre quis tocar, que é o “Festival Convida”.

Domingo passado eu gravei meu primeiro show, que sairá pelo festival agora em novembro. Eu gravei 6 músicas minhas, sendo destas, duas inéditas que não estão neste primeiro EP. Ainda não pensei em gravar algum cover, mas quero demais trazer covers de artistas que me inspiraram e que fazem parte de mim.

SP: Quais artistas você gostaria de fazer covers? E com quem você gostaria de fazer um feat?
Junin: Eu quero trazer para o meu show, músicas que são completamente fora do meio do qual a minha música estaria inserida. Eu gostaria muito de fazer releituras de músicas como do Claudinho & Bochecha, Asa de Águia, Chiclete com Banana, que são músicas que amo escutar e que falam de amor, de uma maneira tão legal e tão verdadeira que não é atoa que impacta tanta gente.

Sobre feats. tem muitos artistas que eu sou apaixonado, que eu quero muito poder juntar essa energia deles comigo, e vir a ser algo único. São inúmeros artistas que passam na minha cabeça que eu teria um prazer imenso de gravar, desde artistas pequenos que estão correndo aqui comigo, lado a lado, que estão aqui na minha cidade ou em cidades próximas tentando fazer acontecer até artistas imensos, que eu tenho como reis, algo que realmente me construiu. Eu tenho sonho de gravar com Caetano Veloso, depois disso eu poderia falar: ‘mundo, estou indo nessa! Muito obrigado, deu tudo certo pra mim, eu não preciso de mais nada’. Eu acho incrível a figura que o Caetano é para esse país: politica e culturalmente e a maneira que ele canta, os sentimentos que ele coloca não só na música.

Além de Caetano, artistas da atualidade, eu sou apaixonado pelo Jão, eu adoro o jeito que ele traz o amor nas letras, acho que seria incrível estar com ele em algumas destas energias. Tim Bernardes, Priscila Tossan, Rodrigo Alarcon, tem tantos artistas incríveis…

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SP: Este trabalho foi todo composto durante a quarentena e o período de isolamento? Como nasceu esta vontade de experimentar novos desafios?
Junin: O trabalho inteiro veio desta quarentena, eu escrevi a minha primeira música há uns quatro meses no máximo, e tudo isso surgiu do momento em que estamos passando, de estarmos muito reclusos em casa. Eu tenho a sorte do estúdio da Lupa ser na minha casa, a gente ensaia aqui, então eu passo horas e horas no estúdio tocando. Era a coisa que mais me deixava feliz em fazer e eu decidi que queria me conectar na música de uma maneira diferente, ainda sem saber que eu iria lançar um projeto solo. Eu falei que queria aproveitar este momento de pausa para realmente me conectar com a música como eu nunca estive [conectado] antes.

Como uma forma de cura e por estar mais emocionalmente conectado, as canções foram ganhando formas e admiradores, a cada nova pessoa que o Junin apresentava o projeto, ganhava não só força como apoio para lançar de forma independente. “Eu nunca estive tão feliz e realizado com um projeto como eu estou agora“.

SP: Nas duas primeiras músicas apresentadas, você fala de afetos, cuidados e amor. O que podemos esperar desse EP de estreia?
Junin: Quando eu decidi lançar este EP, eu peguei as músicas que já tinha escrito na época e escolhi pelo processo de composição, pelo que elas eram pra mim. Pela simplicidade, pelo tema das letras, então eu escolhi estas 4 para elas conversarem entre si e fechar o ciclo que iniciou tudo isso. Pode esperar mais desta vibe com certeza, e é justamente isso, eu gosto de cantar sobre coisas que já vivi, já senti ou que eu já observei e/ou fiz parte de alguma maneira.

SP: Então podemos definir que a música cura, como uma forma de reparar sentimentos?
Junin: Exatamente, pra mim estas músicas foram 100% curas. Eu estava num momento muito ruim da minha vida, eu estava sentindo muitas coisas, então as músicas vieram como um abraço, como uma terapia. O que me deixa mais feliz é saber que estas músicas podem vir ajudar, talvez outras pessoas também.

SP: O que você fez nesta pandemia que acabou influenciando na sua arte?
Junin: Naturalmente eu sou uma pessoa muito eclética, por exemplo, adoro treinar bateria com sertanejo, com pagode. Eu já venho escutando sons muitos distintos, mas nessa pandemia eu foquei principalmente em me conectar com novos instrumentos. Além da bateria, eu descobri muita coisa no violão, no piano, na voz, que eram coisas que eu não explorava, que eu sabia o básico. Veio muito também do me forçar a conhecer novos artistas e não estar preso ao que a gente sempre escutava.

SP: Quais são os próximos passos da carreira?
Junin: É tudo muito louco na minha vida, eu tenho a carreira há um mês, eu não esperava lançar quatro clipes, quatro músicas. Se eu falar que tenho um plano, eu estarei mentindo. Eu não sei [juntamente com vocês] o que esperar. Eu estou com muita vontade de fazer as coisas. Eu sei que virá um álbum, mas não este ano. Até lá, eu tô com muitas ideias…

SP: Pra terminar, já te falaram que você se parece com o ator Nicolas Prates?
Junin: Nicolas Prates? Eu vou até colocar aqui no Google pra ver. [pausa] / [risos]. Já falaram! Já falaram! Vou te falar que lembra mesmo… Não vou mentir não.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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