Beto Sargentelli, o Tony de West Side Story, revela os desafios do seu personagem na montagem brasileira

Com mais de 15 anos de experiência nos palcos, o ator e cantor Beto Sargentelli encarna agora um dos personagens mais desafiadores de sua carreira, Tony, o protagonista do musical West Side Story (Amor, Sublime Amor), que está em cartaz no Theatro São Pedro, onde ele faz uma temporada com 6 apresentações semanais. Confira nossa exclusiva com o ator:

Soda Pop: Com tantos trabalhos na carreira, o que considera ser o grande diferencial de “West Side Story”?
Beto Sargentelli: O diferencial de West Side Story é exatamente o fato dele possuir o título de clássico absoluto e divisor de águas na Broadway. Por sua complexidade, atemporalidade, requinte, equipe criativa estelar e canções quase impossíveis de executar, ele é considerado o musical dos musicais, assim como o papel de Tony, que é considerado o protagonista dos protagonistas!

West Side Story (Amor, Sublime Amor) – (Foto: Heloisa Bortz)

SP: Tony é inspirado no famoso Romeu Montecchio, do clássico de Shakespeare, escrito no final do século XVI. O que você acha que faz dele um personagem atual?
BS: O que torna o papel de Romeu atual (assim como o Tony, inspirado nele), é a máxima de que o ser humano é movido por paixões, amor, ódio, preconceitos e disputas de poder. Felizmente por um lado e infelizmente por outro, a essência humana se mantém com o passar dos séculos. A sociedade se repete, se constrói e se desconstrói o tempo todo. No caso desse herói em questão, ele tenta romper com um ciclo de ódio, insatisfação e preconceito que a sociedade impõe para viver um amor puro, porém a quebra desses paradigmas em busca da liberdade culmina em sua própria morte, fato que gera reflexão sobre a intolerância que jamais deixou de existir entre os humanos.

SP: Consegue enxergar semelhanças e diferenças entre você e Tony? Se sim, quais?
BS: Com certeza! Me assemelho na dificuldade em dizer não, no otimismo, na leveza e na vontade de evoluir para melhor. Sobre as diferenças, eu acredito que sou mais brincalhão e menos impulsivo que ele. 

SP: Este musical é bem conhecido por sua complexidade, seja na execução das coreografias ou no alcance das notas. Para você, qual o maior desafio?
BS: Os maiores desafios são: O famoso Si Bemol de “Maria”, principal solo do Tony. E a resistência física e emocional para interpretá-lo 7 vezes por semana. O personagem está praticamente o tempo todo em cena cantando notas e ritmos pouco comuns e interpretando cenas difíceis e densas.

SP: Qual seu momento preferido do espetáculo?
BS: São vários rs. Porém amo interpretar e cantar “Maria” e “Tonight”.

Giulia Nadruz e Beto Sargentelli em Amor, Sublime Amor (Foto: Heloisa Bortz)

SP: Você e Giulia já estiveram em outros espetáculos juntos, como “Mamma Mia” e “Shrek”. Como tem sido esse reencontro nos palcos, tantos anos depois?
BS: Tem sido muito especial. É uma alegria reencontrá-la mais uma vez, e de quebra protagonizando ao meu lado o icônico casal de West Side Story! Somos muito amigos, nos admiramos mutuamente e torcemos genuinamente pelas carreiras um do outro. Quando recebemos a notícia comemoramos horrores! 

SP: Considerando todas as reflexões que a obra desperta. Qual diria que é a principal mensagem que “West Side Story” passa hoje em dia?
BS: A principal mensagem que West Side Story transmite é de que a intolerância é tão nociva que pode findar o amor, e levar a um só fim: A destruição.

Confira também nossa mesma entrevista com a protagonista Giulia Nadruz que faz a Maria no West Side Story.

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Andy Santana

CEO do Soda Pop, fotógrafo, inquieto, formado em moda e que ama música. Não exatamente nesta mesma ordem!

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