Caio Mutai celebra a versatilidade na atuação e entrega novidades da carreira
Caio Mutai vive um setembro de universos quase opostos. Desde 17 de setembro, está nos cinemas em Furnas Fundas, no qual interpreta Yukun, um vampiro impulsivo que brinca com suas vítimas antes de atacar. Já AYÔ, em que dá vida ao muito mais contido e calculista Iago, acaba de iniciar sua trajetória internacional: a série teve sua primeira exibição fora do Brasil em 15 de setembro, no Seriesly Berlin, na Alemanha, e também integrou a programação do New York Latino Film Festival, realizado de 13 a 20 de setembro, nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao Soda Pop, Caio fala sobre os dois trabalhos, reflete sobre uma carreira construída em meio à lógica dos streamings e revela um repertório pessoal que passa por ficção científica, cyberpunk, videogames, Dan Brown e até uma história curiosa envolvendo Keanu Reeves.
“Eles têm personalidades antagônicas. Então eu diria ‘impulsivo’ para o Yukun e ‘calculista’ para Iago. Yukun não pensa em consequências, brinca com sua presa antes de matá-la e causa toda a confusão em Furnas Fundas. Já o Iago, é extremamente comedido, mas ardiloso. Calculista, pois por trás dos panos, joga sujo.”
A diferença entre Yukun e Iago encontra paralelo em uma carreira que já levou Caio por universos, linguagens e públicos distintos, entre produções como As Five e O Coro. Ao olhar para esses trabalhos, ele não identifica um personagem que tenha se tornado, de maneira absoluta, o mais lembrado pelo público. Para o ator, a própria forma de consumo contemporânea, atravessada pelos streamings e pela segmentação de interesses, faz com que cada produção encontre grupos diferentes e permaneça associada a experiências específicas de quem a acompanhou.
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“Meus trabalhos no audiovisual nasceram já na época dos streamings, uma época que dita um padrão de consumo cada vez mais nichado. Não tem um personagem que mais marcou, acho que ninguém assistiu tudo. Cada um, cada grupo, cada nicho lembra de um. São produtos distintos, para públicos muito distintos. Já fui reconhecido na farmácia por As Five, pois era uma fã da série. Pessoas de musical às vezes falam comigo sobre O Coro. Eu percebo que não tem um mais e outro menos. Acho que me orgulho de todos os trabalhos por igual e sei que são para públicos distintos. Se mais pessoas dentro desses próprios nichos descobrirem esses mesmos personagens, está ótimo para mim!”
Parte dessa variedade também conversa com as referências que acompanham Caio fora do trabalho. Entre os territórios da cultura pop que mais despertam seu interesse estão a ficção científica, o cyberpunk, as viagens no tempo, os universos paralelos, a inteligência artificial e os robôs, repertório que, em alguns momentos, deixa de ser apenas uma preferência pessoal e passa diretamente a integrar sua preparação profissional. Foi o que aconteceu recentemente, quando um novo personagem exigiu uma aproximação ainda maior com esse universo.
“Eu gosto demais da temática sci-fi, cyberpunk, viagens no tempo, universos paralelos, IA, robôs e por aí vai. Para um trabalho gravado recentemente que eu fiz um android hiper realista, tive que me abastecer vendo Ruptura, Matéria Escura, Matrix e jogar Detroit Become Human e Cyberpunk. Foi meu primeiro trabalho em que um diretor pediu pra eu jogar videogame! Eu amei.”
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O interesse não se restringe, no entanto, à ficção científica. Investigação, espiritualidade, simbologias e mistério também fazem parte de seu repertório, e aparecem entre os elementos que encontra reunidos na obra de Dan Brown, autor cuja leitura mais recente entrou rapidamente para sua lista de recomendações.
“Gosto muito também das temáticas de investigação, espiritualidade, simbologias, mistério e acho que quem reúne isso muito bem é o Dan Brown. Li recentemente seu último livro, O Segredo Final e devorei em poucos dias. Se não viu, não leu ou não jogou nada disso, recomendo. Você definitivamente sairá dessas experiências diferente de como começou.”
Quando a conversa passa das referências para os nomes com quem gostaria de dividir um trabalho, a resposta vem sem hesitação. Keanu Reeves ocupa esse lugar e, curiosamente, Caio já chegou perto de integrar uma produção ligada ao ator, ainda que os dois nunca tenham se encontrado. Em 2019, participou como bailarino de algumas diárias de uma série rodada no Brasil e ainda conseguiu levar amigos para o projeto.
“Keanu Reeves. Sem qualquer dúvida. E isso quase aconteceu indiretamente. Gravei algumas diárias como bailarino numa série que ele estava rodando no Brasil em 2019. E não sozinho, ainda consegui indicar vários amigos para o trabalho. Foi bem interessante, mas não vimos o Keanu Reeves nenhuma vez, somente o diretor Carl Erik. De toda forma, trabalhar numa superprodução dessa, mesmo que um pouquinho, foi bem legal. Quem sabe um dia eu não encontre o Keanu Reeves e conte essa história a ele.”

Com Furnas Fundas e AYÔ chegando ao público praticamente ao mesmo tempo, Caio vê nos dois projetos uma espécie de continuidade da forma como sua trajetória vem se construindo. Caracterização, figurino e composição visual aparecem com frequência como elementos importantes em seus personagens e ajudam a criar figuras que se distanciam não apenas umas das outras, mas também do próprio ator, algo que ele identifica como parte central do prazer de seguir transitando por trabalhos tão diferentes.
“Acho que Furnas e AYÔ são mais exemplos de consolidação de como minha trajetória inteira vem se construindo: diversidade e versatilidade. Eu não lembro de ter algum personagem em que a caracterização não fosse algo extremamente importante, então posso dizer com certeza que quem assistir a esses dois trabalhos, verá versões de ‘Caio Mutai’ muito distintas entre si e de mim mesmo. E é assim que venho percorrendo essa jornada, com personagens cada vez mais plurais, me provocando e me desafiando a imaginação e construção. A minha sorte é sempre poder contar com as equipes de visagismo e figurino que abraçam minhas ideias e que me possibilitam essas criações.”

