O autor e diretor Daniel Salve, revela novidades em bate-papo sobre carreira e projetos
Daniel Salve, (ator, cantor, compositor, letrista, diretor e criador de projetos autorais), construiu uma trajetória multifacetada dentro do teatro musical brasileiro. O artista tem participado de algumas das produções mais relevantes da cena nacional nos últimos anos, transitando entre adaptações de grandes franquias internacionais e obras originais desenvolvidas a partir de referências brasileiras.
Em papo com o Soda Pop, Daniel fala sobre os desafios de transformar a sensibilidade e o humor de Paulo Gustavo em narrativa musical, a responsabilidade de adaptar um dos universos mais populares da literatura jovem para os palcos, os próximos passos de suas criações autorais e a vontade de voltar a lançar músicas próprias.
Transformando Paulo Gustavo em canção
Em “Meu Filho é um Musical”, musical da Touché Entretenimento em cartaz no Rio de Janeiro, Daniel Salve assina as músicas e letras originais do espetáculo inspirado na trajetória de Paulo Gustavo. Segundo ele, a construção da trilha partiu da dramaturgia criada por Fil Braz e da pesquisa desenvolvida por Beatriz Coelho, mas rapidamente encontrou um desafio maior: ir além da simples reconstituição biográfica.
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“O desafio não era reproduzir Paulo Gustavo, porque isso seria impossível. O desafio era capturar sua energia, sua sensibilidade, seu humor e sua humanidade. Procurei entender a que universo musical ele pertencia, quais emoções moviam suas escolhas e como traduzir isso em canções que ajudassem a contar a história.”
O artista explica que as músicas foram concebidas como uma forma de acessar aspectos mais íntimos do homenageado, revelando sentimentos e conflitos que nem sempre aparecem apenas através dos fatos conhecidos pelo público.
O equilíbrio entre humor e emoção
Para Daniel, compreender a relação entre humor e afeto foi fundamental para a construção da trilha sonora do espetáculo. “Acho que a principal escolha foi entender que o humor e a emoção nunca estiveram separados na vida do Paulo Gustavo. As canções tentam seguir essa mesma lógica. Há momentos mais expansivos e cômicos, mas também momentos mais íntimos, em que a música desacelera para revelar a vulnerabilidade por trás do artista.”
Segundo ele, a proposta foi criar canções capazes de dialogar com a memória afetiva do público e transformar experiências pessoais em sentimentos universais.
A responsabilidade de dirigir Percy Jackson
Em paralelo, Daniel também está à frente da direção geral da adaptação brasileira de “Percy Jackson”, que estreia em outubro, no Teatro Liberdade, em São Paulo. Se na composição seu olhar está voltado para os personagens e suas emoções, na direção a atenção se expande para todos os elementos que constroem a experiência teatral. O desafio se torna ainda maior diante de uma das franquias mais populares da cultura pop contemporânea.
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“O teatro tem essa coisa mágica de permitir a experimentação. Diferentemente de outras linguagens, ele não precisa reproduzir a realidade de forma literal para ser convincente. Muitas vezes, uma solução teatral inventiva consegue despertar muito mais a imaginação do público do que uma tentativa de copiar exatamente aquilo que já existe em outra mídia.”
Para ele, o equilíbrio está em preservar a essência criada por Rick Riordan enquanto a adaptação encontra sua própria identidade nos palcos.
“Nautopia” atravessa fronteiras
Entre os projetos autorais, “Nautopia” vive um momento importante. O musical se prepara para um workshop em Londres, onde será trabalhado pela primeira vez com artistas e colaboradores internacionais. Daniel vê a iniciativa como uma oportunidade de amadurecimento da obra e de ampliar seu alcance sem abrir mão de suas origens.
“O que me deixa particularmente feliz é perceber que uma história original brasileira, construída a partir das nossas referências, paisagens e sensibilidades, consegue estabelecer diálogos universais. Isso reforça a minha convicção de que nossas histórias podem atravessar fronteiras sem perder sua identidade.”
Além de “Nautopia”, ele também desenvolve Ciranda, novo musical inspirado em elementos do imaginário popular brasileiro.

Um novo disco no horizonte
Depois de anos dedicados principalmente à criação e direção de espetáculos, Daniel pretende voltar a investir na carreira de cantor e compositor. Atualmente, o artista trabalha em um novo álbum autoral, projeto que vem sendo desenvolvido paralelamente às produções teatrais.
“Tenho um projeto de um novo disco autoral em desenvolvimento. É um trabalho bem pessoal, mas que definitivamente dialoga com o meu trabalho teatral. Eu sou teatral, e gosto de explorar isso no melhor sentido da palavra.”
Entre musicais originais, adaptações de grandes sucessos da cultura pop e novos projetos musicais, Daniel Salve segue ampliando sua atuação artística em diferentes frentes, sem abandonar a característica que conecta todos esses trabalhos: a força da narrativa.

