‘Xica da Silva’ retorna aos cinemas no aniversário de 50 anos
O mundo vivia a Guerra Fria e o Brasil ainda estava longe da redemocratização. Era 1976 e, enquanto nos Estados Unidos Sylvester Stallone treinava ao som da trilha de Rocky, Um Lutador, por aqui Zezé Motta lançava seu feitiço sobre todos à sua volta enquanto Jorge Ben Jor cantava os versos do tema de Xica da Silva, enorme sucesso de Carlos Diegues. Às vésperas de completar 50 anos, o filme que reposicionou o protagonismo negro e feminino no cinema brasileiro será relançado em cópia restaurada pela Sessão Vitrine Petrobras em 16 de julho. O longa atraiu mais de 3,1 milhões de espectadores e conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília.
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Chica da Silva foi uma mulher negra escravizada que, após conquistar a alforria, rompeu os padrões de sua época ao manter por cerca de 15 anos uma relação pública com João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes e um dos homens mais ricos do Império Português. Com ele teve 13 filhos, criados com privilégios raramente concedidos a descendentes de uma ex-escravizada. Após a partida de João Fernandes para Portugal, Chica assumiu a administração de parte dos negócios e consolidou uma posição de destaque na sociedade local.
Além do imenso sucesso de público, Xica da Silva representou a consagração de Zezé Motta no imaginário brasileiro. A atriz, que já havia participado de filmes e produções televisivas, foi amplamente aclamada pela crítica e recebeu alguns dos principais prêmios do cinema nacional por sua atuação, entre eles o Prêmio Air France, o Coruja de Ouro, o Prêmio Governador do Estado e o já citado troféu de Melhor Atriz no Festival de Brasília. Cinco décadas depois, Zezé permanece como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, símbolo de resistência para a comunidade negra e figura fundamental nas discussões sobre representação racial no país.

